Alta e queda do dólar: por que isso impacta a sua vida?

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No momento em que escrevemos este artigo, o dólar está em sua quarta alta consecutiva, fechando em R$ 5,379. Mas você sabe no que essas variações afetam no seu dia a dia?

Por ser uma moeda base no mercado internacional, a alta ou a queda do dólar impacta nas relações comerciais do Brasil com o mundo, as exportações, importações, mas também na nossa inflação, nos investimentos, nas nossas viagens e compras no supermercado.

Por isso, é importante entender por que acontece a alta e a queda do dólar em relação ao Real e ficar de olho nas cotações. Continue a leitura e saiba mais!

Por que o dólar cai e sobe?

As variações do dólar comercial em relação ao Real acontecem todos os dias e diversas vezes ao dia. Quando você analisa essa variação, deve observar quantos reais são necessários para comprar U$1.

De maneira geral, quando há um aumento na procura por dólares no Brasil, ocorre a alta no dólar; e, no caso da queda, a demanda por dólar é menor quando há uma valorização do Real.

Basicamente, podemos destacar alguns fatores principais que fazem o dólar subir ou cair. São eles:

1.      Câmbio flutuante

No Brasil, o mercado de câmbio é flutuante, ou seja, a moeda varia livremente, de acordo com a oferta e demanda. Isso significa que não há influência direta de autoridades e governantes sobre o preço do dólar e a taxa de câmbio.

A intervenção pelo Banco Central acontece apenas depois que há essa alta ou queda da volatilidade.

O dólar, portanto, varia de acordo com o mercado, a depender do superávit ou déficit comerciais, dos gastos de brasileiros no exterior ou de estrangeiros no Brasil com o turismo, das taxas de juros brasileira e dos Estados Unidos, dentre outros fatores.

2.      Crises econômicas

O dólar é uma moeda que norteia a economia global e, quando há crises financeiras, ele tende a oscilar em relação ao Real. Isso vale tanto para crises internas quanto externas, já que os investidores não querem aplicar seu dinheiro em uma economia instável.

Assim, eles começam a vender suas ações, retirar seu capital do país, realocar os investimentos para outras moedas e produtos menos voláteis.

O dólar, por si só, é uma moeda estável e com pouca propensão à desvalorização. Afinal, tem muita gente querendo comprar dólar o tempo inteiro e, com isso, a demanda nunca escassa. Porém, há períodos como a crise de 2008, que fez com que o dólar caísse bastante e chegasse a R$ 1,56.

Já o Brasil é um país emergente, de alta especulação financeira e, por isso, sofre bastante com as crises.

3.      A própria economia norte-americana

O modo como é administrada a política econômica dos Estados Unidos influencia no preço do dólar e a desvalorização (ou valorização) do Real.

Isso porque as decisões do Governo norte-americano influenciam na economia de todos os países e a especulação faz com que os investidores pisem no freio e busquem por investimentos menos arriscados e, consequentemente, menos rentáveis.

Isso gera uma redução do capital e uma concentração do dólar nos Estados Unidos, depreciando as moedas de países em desenvolvimento e emergentes.

4.      Reservas cambiais

A reserva internacional ou cambial é um fundo que os países têm para cobrir suas obrigações com os investimentos externos, pagamento de fornecedores, dívidas internacionais e outros.

No Brasil, essa reserva é formada prioritariamente por dólar e, caso haja uma queda nessa reserva, o Real se desvaloriza. Isso porque o governo precisa comprar mais moedas estrangeiras para cobrir a demanda.

E por que está subindo agora?

Atualmente, o dólar está em alta devido a diversos motivos, veja alguns deles:

  • Crises na política interna, sobretudo entre os poderes Executivo e Judiciário, que criam apreensão no mercado investidor;
  • Impactos da pandemia da Covid-19 na economia global
  • Disputas comerciais entre Estados Unidos e China
  • Instabilidade política na América Latina
  • Redução da taxa básica de juros (taxa Selic) em 2020 para 2%, uma mínima histórica
  • Queda no preço de commodities, dentre outros.

Qual a diferença entre dólar comercial e turismo?

É interessante dizer que os valores que falamos aqui (e que você costuma ver nas notícias) é do dólar comercial e seu preço é diferente do dólar turismo. Mas o que isso significa?

O valor do dólar comercial é aquele utilizado para definir taxas no mercado e no comércio exterior, seja para pagamento ou recebimento das importações e exportações.

Já o dólar turismo é aquele que você compra e vende nas casas de câmbio quando vai viajar para o exterior. Ele tem um custo mais alto que a versão comercial. Isso porque essa é a moeda física e sobre ela recaem impostos, custos com impressão do papel-moeda, com a logística para fazer a moeda chegar até você, taxas administrativas e outras despesas.

E como isso impacta nossa vida?

Os impactos chegam ao consumidor de diversas maneiras e praticamente todos os produtos ficam mais caros com a alta do dólar. Veja só:

  • A oscilação do dólar comercial faz com que os produtos importados fiquem mais caros ou baratos para o Brasil, impactando o mercado interno. Se os insumos estão com preço mais alto, o produto final também chegará com valor mais alto ao consumidor.
  • Produtos como a carne, petróleo e as commodities também têm sua cotação definida pelo dólar. Se a moeda norte-americana está mais alta, os preços no Brasil sobem.
  • Além disso, se o dólar está mais alto há também um aumento nas exportações e, com isso, o mercado interno pode ficar desabastecido. Os produtos que exportamos, em outras palavras, ficam mais caros para os brasileiros.
  • De outro lado, também podemos citar que um mercado enfraquecido faz com que as dívidas tanto pessoais quanto empresariais aumentem. Com isso, as empresas e a indústria elevam os preços ao consumidor, para tentar suprir suas dificuldades financeiras.

Todos esses pontos significam que a variação do dólar mexe com o bolso do brasileiro de diversas formas, já que os produtos mais caros pressionam o IPCA (inflação).

A inflação está alta? Veja como economizar com os alimentos no dia a dia.

Como afeta os investimentos?

No lado dos investimentos, a variação do dólar afeta as aplicações, seja para valorizá-las quanto para prejudicá-las.

No caso dos investimentos de renda fixa atrelados ao IPCA, por exemplo, o rendimento aumenta já que a inflação está em alta.

Já em relação à Bolsa de Valores, a Ibovespa tende a cair quando o dólar sobe, apesar de não ser regra.

Há ainda os investimentos de fundos cambiais que são diretamente influenciados pelas taxas do câmbio. A desvalorização do Real pode impactar negativamente no rendimento dessas aplicações.

Com uma economia instável como a nossa, atualmente, a dica para se proteger é diversificar sua carteira de investimentos. Assim, você tem aplicações menos e mais arriscadas, que rendem de maneira diferente conforme as oscilações do mercado.

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