Alta Selic: Qual o impacto dos juros nos investimentos?

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O Brasil vem acompanhando a alta Selic nos últimos meses, depois de passar pela menor taxa básica de juros da história, em 2020, quando chegou a 2%.

Mas essa movimentação é favorável ou prejudicial à economia? Quais os impactos da Selic em alta para os investimentos de pessoas físicas? Como isso afeta a inflação e o bolso dos brasileiros?

É sobre isso que vamos falar no artigo de hoje. Vamos lá?

Alta Selic: qual o caminho dos juros no Brasil?

Após sucessivas quedas, em março de 2021 o Banco Central iniciou um ciclo de altas dos juros no país. A taxa Selic, que estava estagnada desde agosto em 2% – menor índice da história do país -, foi elevada para 2,75%, 3,5%, 4,25% e, atualmente (agosto de 2021), está em 5,25% ao ano.

A estimativa do mercado financeiro apresentada no relatório Focus, do Banco Central, é que a taxa básica de juros deve chegar a 6,5% até o fim de 2021.

Mas por que o Governo tem investido na alta da Selic?

Ao subir os juros, as operações financeiras são impactadas, como financiamentos, empréstimos e o uso de cartão de crédito, o que pode causar um efeito no bolso do brasileiro. Esta é uma forma de desestimular o consumo, ainda que de forma módica.

Se os juros estão mais altos, isso significa que as pessoas terão menos crédito para consumir, o que acaba fazendo com que a inflação caia. A estratégia serve para controlar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Após a crise gerada pela pandemia da Covid-19, o dólar passou a ficar muito caro e as produções industriais foram comprometidas – com a limitação no fornecimento de matéria-prima -, o que colocou a demanda em posição superior à oferta.

Com isso, a inflação subiu, ultrapassando a meta e atingindo um acumulado de 12 meses (até maio) de 8,06% de alta. A meta era de 4% e o IPCA ficou em 4,52%.

A expectativa ao apostar na alta Selic, portanto, é que, com isso, a inflação abaixe e termine o ano dentro da meta.

Juro neutro

Embora haja esse esforço, a projeção do Banco Central para o IPCA no fim de 2021 é de 5,8%, sendo que o teto é de 5,25%.

A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, é de 5% para 2021 e uma queda para 2,1% em 2022.

Isso significa que, para a economia, a probabilidade é de retração e especialistas afirmam que essas tentativas monetárias não estão sendo mais eficientes.

O consenso de que a alta Selic chega ao fim do ano em 6,5% também mostra que a taxa básica de juros vai alcançar um patamar chamado pelos economistas de juro neutro.

Ele consiste no nível que não é mais capaz de estimular nem contrair a economia.

Agora que você entendeu como está a alta Selic e como isso impacta a economia, entenda melhor o que é esta taxa e como ela afeta os seus investimentos.

O que é a taxa Selic e como os juros são definidos no Brasil?

Antes de entender o impacto da alta dos juros na sua carteira, é interessante entender o funcionamento da Selic, a taxa básica de juros no Brasil.

A Selic (chamada oficialmente de Taxa Selic Meta) é a taxa referencial de rentabilidade nos investimentos. Ou seja, ela serve como parâmetro para as operações financeiras, de modo geral.

Para que você entenda melhor, Selic significa Sistema Especial de Liquidação de Custódia, um sistema que serve para registrar todas as transações ligadas aos títulos do Tesouro Nacional. Todo mundo que comprar um ativo do Tesouro, deve receber o valor aplicado acrescido de juros.

Como boa parte dessas compras são feitas por grandes bancos e o montante é muito alto, o Banco Central (BC) impõe a essas instituições um fechamento diário com caixa equilibrado. Obrigatoriamente, eles precisam destinar um percentual desses depósitos a uma conta do BC. Assim, evita-se um excesso de dinheiro em circulação, o que permite controlar a inflação.

Para encerrar o dia com o valor devido à conta do BC, as instituições financeiras fazem empréstimos entre si, com um prazo de 24 horas. Em troca, esses bancos oferecem os títulos públicos adquiridos como garantia pelo crédito solicitado. Os juros praticados para esses empréstimos diários se baseiam na Selic Meta.

E como a alta Selic impacta seus investimentos?

Como falamos, ao elevar a Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tem a intenção básica de encarecer o acesso a crédito e, com isso, diminuir o dinheiro em circulação.

Mas, como grande parte dos investimentos de renda fixa são baseados na Selic, isso acaba impactando também na sua rentabilidade. O Tesouro, por exemplo, está diretamente associado à taxa básica de juros.

  • O Tesouro Selic (LFT) está indexado à Selic
  • O Tesouro IPCA+ paga a taxa de juros mais a inflação do período, que por sua vez depende, como vimos, da Selic.

Outros ativos de renda fixa também estão atrelados ao CDI, uma taxa que acompanha a Selic diretamente, e ao IPCA (inflação) e, por isso, também têm o comportamento alterado pela taxa básica de juros. É o caso de CDBs, LCIs, LCAs ou Fundos DI, por exemplo.

Portanto, se a Selic aumenta, a rentabilidade desses ativos também aumentará, sendo uma boa ocasião para criar uma reserva financeira. Quem aplica na poupança também pode ver o rendimento mensal subir de 0,12% para 0,16%.

Veja por que você deve sair da poupança.

Mas por que só uma reserva?

Embora os investimentos de renda fixa tenham voltado a ficar mais atrativos, o aumento da Selic não foi assim tão significativo se lembrarmos que a inflação no país continua alta, não tendo um ganho real nas aplicações.

Com isso, os ativos de renda fixa podem não ter um rendimento assim tão relevante, como já tiveram um dia. Contudo, a diversificação da carteira ainda deve ser mantida, considerando que a renda fixa é segura (ou menos arriscada, se você preferir) e muitos ativos têm alta liquidez, permitindo retirada sempre que necessário.

Os ativos pós-fixados funcionam como uma forma de estabilidade e segurança e podem ser uma boa opção para quem ainda não está seguro sobre onde e em quê investir. Trata-se de investimentos atrelados a um indexador, em que só é possível saber, de fato, quanto ele rendeu, no vencimento da aplicação.

E a renda variável?

Ainda é um bom momento para a renda variável e os investidores não precisam sair da bolsa de valores só por causa dessa alta nos juros. Em geral, ações e fundos imobiliários perderiam atratividade, mas, com a Selic ainda a níveis mais baixos que o histórico brasileiro, eles ainda se mantêm vantajosos.

Ações de empresas que conseguem repassar a inflação ao consumidor, por exemplo, como os grandes supermercados ou do setor de energia, tendem a se manter em alta, segundo alguns especialistas. Da mesma maneira, bancos e seguradoras continuam atrativos.

Entretanto, é importante lembrar que investir em renda variável é arriscado – já que os ganhos flutuam de acordo com oscilações de mercado –, e pode não condizer com seu perfil de investidor. Antes de ousar, avalie sua predisposição para riscos.

A importância da diversificação de investimentos

O Brasil tem enfrentado um contexto de crise e muitas incertezas em relação à economia, ainda mais se considerarmos o prolongamento da pandemia por um período indeterminado. Os efeitos da crise de 2020 ainda serão sentidos pela população neste ano e, provavelmente, nos próximos.

Com isso, é muito importante garantir uma diversificação da carteira para que os riscos sejam fragmentados. Caso um ativo de renda fixa tenha uma queda súbita ou se alguém de sua família não puder mais contar com sua fonte de renda, por exemplo, você tem uma reserva financeira a partir de outros investimentos.

Entenda melhor como diversificar seus investimentos pessoais.

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